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Como precificar impressão 3D

Toda conta desta página está aberta, com um exemplo que atravessa o texto inteiro: uma peça de 48 g que leva 3 horas e meia, em PLA de R$ 90 o quilo, numa impressora de R$ 2.500. No fim ela custa R$ 19,69 e sai por R$ 33,00. O que interessa não é o número — é o caminho até ele, porque é esse caminho que você vai refazer com as suas peças.

Primeiro: custo e preço são duas contas separadas

Misturar as duas é a origem de quase todo erro de precificação. Custo é o que a peça consumiu, e é medição. Preço é o que você cobra, e é decisão.

A ordem importa. Quem começa pelo preço — “vou cobrar R$ 40, é o que o pessoal cobra” — nunca descobre que a peça custou R$ 44. Quem começa pelo custo tem os dois números e decide com informação: pode até cobrar R$ 40 por estratégia, sabendo que está pagando R$ 4 para atender aquele cliente.

O resto deste guia é a conta do custo, em sete linhas, e depois a conta do preço, que é uma divisão só.

As sete linhas do custo

Esta é a conta da peça de exemplo, com cada linha do jeito que ela sai.

  • MaterialR$ 4,32
  • MáquinaR$ 2,19
  • EnergiaR$ 0,40
  • PreparaçãoR$ 7,50
  • AcabamentoR$ 2,50
  • EmbalagemR$ 1,50
  • Reserva de falhaR$ 1,29
Custo totalR$ 19,69

Repare na ordem de tamanho, porque ela contraria a intuição de quase todo mundo: o filamento é a terceira maior linha, atrás do preparo e à frente da máquina por pouco. A linha que mais pesa é o seu tempo preparando o lote. É por isso que pedido de uma peça só quase nunca compensa, e é por isso que a peça “simples” do orçamento raramente é barata.

  • Material — R$ 4,3248 g dividido por mil, vezes R$ 90 o quilo. Use o preço que você pagou no rolo, não o de tabela. Em peça de várias cores, cada cor entra com o próprio peso e o próprio preço, e o filamento descartado na torre de purga entra junto — ele foi comprado igual.
  • Máquina — R$ 2,193 h 30 vezes R$ 0,625 por hora, que é a impressora de R$ 2.500 dividida por 4.000 horas de vida útil. Essa linha é a máquina se pagando de volta. Sem ela, a próxima impressora sai do seu bolso e não do faturamento da oficina.
  • Energia — R$ 0,40120 W dividido por mil, vezes 3,5 horas, vezes R$ 0,95 o kWh. Parece desprezível por peça e não é por mês: a mesma impressora rodando 10 horas por dia consome 36 kWh no mês, uns R$ 34 — por máquina.
  • Preparação — R$ 7,5015 minutos fatiando e ajustando, à sua hora de R$ 30. É do lote inteiro, não da peça: preparar uma vez serve para as dez. Dividir por peça infla o preço de quantidade e espanta justamente o pedido grande, que é o que paga bem.
  • Acabamento — R$ 2,505 minutos por peça tirando suporte e lixando. Esse é por peça e cresce sem ninguém notar: dez minutos de lixa em cinquenta peças são oito horas de trabalho que ninguém orçou.
  • Embalagem — R$ 1,50Caixa, plástico-bolha, etiqueta. Some aqui também parafuso, ímã e eletrônica que a peça leve. Cada um é barato; juntos passam a energia com folga.
  • Reserva de falha — R$ 1,297% sobre tudo que veio antes, porque nem toda impressão termina. Sem essa linha o refugo sai do lucro, e a oficina descobre no fim do mês que trabalhou de graça para pagar o próprio retrabalho. Se a sua taxa de falha real é maior, use a sua — 7% é um ponto de partida, não uma verdade.

Depois: o preço, que é uma divisão

Aqui mora o erro mais caro da precificação, e ele parece um detalhe de aritmética.

Margem se obtém dividindo o custo por (1 − margem), não somando a margem ao custo. Somar 35% a um custo de R$ 100 dá R$ 135, e a margem real disso é 25,9% — você achou que ganhava 35% e ganhou pouco mais de um quarto. Dividir R$ 100 por 0,65 dá R$ 153,85, e aí sim a margem é 35%.

São R$ 18,85 de diferença por peça. Em quinhentas peças no ano, são R$ 9.425 que nunca apareceram em lugar nenhum — não como prejuízo, porque prejuízo aparece; como lucro que simplesmente não foi cobrado.

Na peça do exemplo: R$ 19,69 dividido por 0,60 dá R$ 32,82, arredondado para R$ 33,00. Sobram R$ 13,31 de lucro, margem real de 40,3%, e R$ 3,80 de lucro por hora de máquina ocupada.

Se você vende por maquininha, marketplace ou link de pagamento, a taxa e o imposto precisam sair de dentro do preço, não serem somados depois. Uma comissão de 12% não vira 12% a mais no fim: ela entra na mesma divisão, junto com a margem.

Por que preço por grama erra sempre

Quatro peças reais, todas calculadas com os mesmos custos de oficina, comparadas com o critério de R$ 0,80 por grama.

PeçaPesoTempoCusto realPreço justoPor gramaErro
Vaso alto e fino22 g8 hR$ 20,75R$ 35,00R$ 17,60−R$ 17,40
Suporte de celular48 g3 h 30R$ 19,69R$ 33,00R$ 38,40+R$ 5,40
Bloco maciço pequeno90 g2 h 30R$ 22,95R$ 39,00R$ 72,00+R$ 33,00
Caixa grande vazada180 g14 hR$ 40,71R$ 68,00R$ 144,00+R$ 76,00

O vaso é o caso que dói: cobrando por grama você pede R$ 17,60 por uma peça que custou R$ 20,75. Não é margem apertada, é prejuízo — e é justamente o tipo de peça que mais aparece em pedido de vitrine, porque é leve, bonita e o cliente acha barata.

O bloco maciço é o outro lado: por grama ele sairia por R$ 72,00 quando R$ 39,00 já pagaria tudo com 40% de margem. Esse orçamento é recusado, e você nunca fica sabendo que perdeu a venda por uma fórmula.

O número que quase ninguém olha: lucro por hora de máquina

O suporte de celular deixa R$ 3,80 por hora de impressora ocupada. A caixa grande, que é o pedido que impressiona — R$ 68,00, peça grande, cliente satisfeito — deixa R$ 1,95. Nas mesmas 14 horas da caixa, quatro suportes rendem mais que o dobro.

Enquanto sobra máquina parada, isso é irrelevante: tudo que entra é lucro. No dia em que a fila está cheia, é a única conta que importa, porque aceitar um pedido passa a significar recusar outro. É a conta que decide o que a oficina para de aceitar quando cresce — e a maioria descobre isso tarde demais, depois de já ter enchido o mês com trabalho de baixo rendimento.

Faça essa conta com duas peças suas na calculadora aberta — leva dois minutos e não pede cadastro.

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Perguntas frequentes sobre precificação

  • Quanto cobrar por uma impressão 3D?Não existe um valor de tabela, porque o custo muda com o tempo de impressão, com a máquina usada e com o acabamento. O caminho é sempre o mesmo: somar as sete linhas de custo (material, hora de máquina, energia, preparo, acabamento, embalagem e reserva de falha) e dividir o total por (1 − margem desejada). No exemplo desta página, uma peça de 48 g e 3 h 30 custa R$ 19,69 e sai por R$ 33,00 com 40% de margem.
  • Qual o preço por grama na impressão 3D?Preço por grama é um atalho que erra para os dois lados. Numa peça leve e demorada, como um vaso de 22 g e 8 horas, cobrar R$ 0,80 por grama dá R$ 17,60 — abaixo dos R$ 20,75 que a peça custou. Num bloco maciço de 90 g e 2 h 30, o mesmo critério pede R$ 72,00 quando o preço justo seria R$ 39,00, e o orçamento é recusado. Quem cobra por grama perde dinheiro nas peças que mais recebe e perde a venda nas que dariam lucro.
  • Devo cobrar pelo tempo de impressão ou pelo peso?Pelos dois, porque eles pagam coisas diferentes. O peso paga o filamento; o tempo paga a máquina, a energia e a oportunidade perdida de imprimir outra coisa. Uma peça consome os dois recursos em proporções que mudam a cada modelo, e é por isso que qualquer fórmula com uma variável só erra.
  • Como calcular o custo da hora da impressora?Divida o que você pagou na máquina, já com upgrades, pelas horas de impressão que espera tirar dela antes de trocar ou reformar. Uma impressora de R$ 2.500 com 4.000 horas de vida útil custa R$ 0,625 por hora. É um número conservador de propósito: se a máquina durar mais, você embolsou a diferença; se quebrar antes, ela já se pagou.
  • Que margem usar na impressão 3D?Olhe a margem real — a que sobra depois de imposto e taxa de pagamento — e não a margem-alvo. Abaixo de 15% de margem real, uma única falha no lote consome o lucro do trabalho inteiro. Entre 30% e 45% é onde a maioria das oficinas de peça sob demanda consegue trabalhar sem ficar refém de volume.
  • Preciso cobrar pelo meu próprio trabalho se eu sou o dono?Precisa, e é o item que mais falta. Se a sua hora não está no custo, o preço da peça está financiando o seu salário com o dinheiro que deveria comprar a próxima impressora. O sintoma clássico é a oficina que fatura bem, nunca sobra caixa e o dono trabalha aos domingos.

Da conta na planilha para o orçamento assinado

O FormaOS faz essa conta em toda peça, guarda a regra com número de versão e manda o orçamento por link para o cliente aprovar. Preço aprovado fica congelado — mudar depois cria uma versão nova, com histórico.

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