Quanto de energia gasta uma impressora 3D por hora
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A pergunta aparece de duas formas opostas, e as duas estão erradas. Tem quem evite imprimir de madrugada com medo da conta de luz, e tem quem nunca tenha colocado energia no custo da peça porque “é centavos”. A conta tem três números e vale a pena fazer uma vez, porque ela responde as duas de uma vez só.
A fórmula
Potência (W) ÷ 1000 × horas × tarifa do kWh = reais. Uma impressora de 120 W rodando 3 horas e meia, com o kWh a R$ 0,95, gasta R$ 0,40.
Três números, e dois deles quase ninguém tem certo. Vamos por partes.
1. A potência não é a da etiqueta
A etiqueta da fonte diz o pico: 350 W, 400 W, às vezes mais. Esse valor só acontece nos primeiros minutos, enquanto a mesa aquece. Depois disso a mesa passa a ligar e desligar para manter a temperatura, e o consumo médio cai muito.
Na prática, uma FDM comum imprimindo PLA fica entre 80 e 150 W de média. Com mesa aquecida a 100 °C para ABS ou PETG, sobe — pode passar de 200 W. Uma impressora de resina LCD fica bem mais baixa, na casa dos 50 a 70 W, porque não tem mesa aquecida nem extrusora quente.
Se quiser o seu número de verdade, um medidor de tomada custa pouco e resolve numa impressão. Enquanto não tiver, 120 W é um chute razoável para FDM com PLA e 60 W para resina.
2. A tarifa não é a que aparece na propaganda
O valor do kWh que sai nas notícias é a tarifa sem impostos. O que você paga inclui ICMS, PIS, Cofins, iluminação pública e a bandeira tarifária do mês — e a diferença chega facilmente a 40%.
O jeito certo de descobrir a sua: pegue a última conta de luz e divida o valor total pelo consumo em kWh do mês. Esse número é a sua tarifa real, com tudo dentro. Na maior parte do Brasil em 2026 ele cai entre R$ 0,80 e R$ 1,05.
3. As horas são as da impressão, não do dia
Só conta o tempo em que a máquina está de fato imprimindo ou aquecendo. Impressora ligada e parada consome pouquíssimo — na casa de 5 a 10 W de eletrônica em espera, o que dá alguns reais por ano.
Então quanto dá, na prática
Com 120 W de média e R$ 0,95 o kWh:
- Por hora de impressãoR$ 0,11
- Peça de 3 h 30R$ 0,40
- Peça de 40 horasR$ 4,56
- Uma máquina, 8 h/dia por 30 diasR$ 27,36
- Uma máquina rodando 24 h por 30 diasR$ 82,08
- Seis máquinas, 12 h/dia por 30 diasR$ 246,24
As duas respostas, agora
Para quem tem medo da conta de luz: pode imprimir. Uma impressora doméstica rodando o dia inteiro custa menos que um chuveiro elétrico de uso normal. Deixar a peça de 14 horas rodando de madrugada acrescenta R$ 1,60 à conta do mês.
Para quem acha que é centavos e por isso ignora: é centavos por peça e não é centavos por mês. Seis máquinas em meio período dão R$ 246 mensais — quase R$ 3.000 por ano que saem do caixa e não estão em orçamento nenhum. É uma impressora nova que deixou de ser comprada.
Onde a energia entra no preço
Ela é uma das sete linhas do custo de uma peça, e é quase sempre a menor delas — bem menor que o seu tempo de preparo, que é a que costuma ser a maior. O detalhe que importa é que a energia acompanha o tempo, e não o peso: é mais um motivo pelo qual cobrar por grama não fecha.
As outras seis linhas, com como medir cada uma, estão em quanto custa imprimir uma peça. Para ver a energia entrando junto com o resto numa peça sua, a calculadora aberta já traz os campos de potência e tarifa.