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Quanto custa imprimir uma peça: as sete contas que quase ninguém faz

· 9 min de leitura

Pergunte a dez pessoas que imprimem quanto custou a última peça delas e nove vão responder com o preço do filamento. É a resposta natural, porque é o único custo que aparece: você compra o rolo, vê o dinheiro sair. As outras seis linhas saem do seu bolso sem passar por nenhum comprovante.

A peça deste texto é a mesma do começo ao fim: 48 gramas, 3 horas e meia de impressão, em PLA de R$ 90 o quilo, numa impressora que custou R$ 2.500. O filamento dela custa R$ 4,32. A peça custa R$ 19,69.

  • MaterialR$ 4,32
  • MáquinaR$ 2,19
  • EnergiaR$ 0,40
  • PreparaçãoR$ 7,50
  • AcabamentoR$ 2,50
  • EmbalagemR$ 1,50
  • Reserva de falhaR$ 1,29
Custo totalR$ 19,69

O filamento é a terceira maior linha, e responde por 22% do custo. A maior, com 38%, é o seu tempo preparando o lote.

1. Material — e por que o preço de tabela não serve

Gramas ÷ 1000 × preço do quilo. A parte que erra é o preço: use o que você pagou no último rolo, com frete, e não o valor de tabela do fornecedor. Comprar cinco rolos com frete grátis e um rolo avulso com R$ 25 de frete são dois custos por quilo diferentes.

Em peça de várias cores, cada cor entra com o próprio peso e o próprio preço. Uma cor especial três vezes mais cara desaparece dentro de um custo médio, e some justamente o item que explicaria por que aquela peça ficou cara. E o filamento descartado na torre de purga também é material comprado: numa peça de quatro cores, a purga passa fácil de 20% do que a peça pesa.

2. Máquina — a impressora se pagando

Valor da impressora ÷ horas de vida útil esperada × horas da peça. No exemplo: R$ 2.500 ÷ 4.000 horas = R$ 0,625 por hora, vezes 3,5 horas, dá R$ 2,19.

A vida útil é uma estimativa e não precisa ser exata — precisa ser conservadora. Se a máquina durar mais que o previsto, você embolsou a diferença; se quebrar antes, ela já se pagou. Some no valor os upgrades que você fez, porque eles também precisam voltar.

Sem essa linha, a próxima impressora sai do seu bolso e não do faturamento da oficina. É o sintoma mais comum de quem factura bem e nunca consegue crescer.

3. Energia — pequena por peça, não por mês

Potência média ÷ 1000 × horas × tarifa. Aqui, R$ 0,40. É a menor linha da conta e a que mais gente ignora — com razão, se a oficina tem uma máquina. Com seis, viram uns R$ 250 por mês que não estão orçados em lugar nenhum. A conta completa está em quanto de energia gasta uma impressora 3D.

4. Preparação — a maior linha, e a mais esquecida

Fatiar, ajustar suportes, preparar a mesa, trocar o filamento. São 15 minutos à sua hora de R$ 30: R$ 7,50. É a maior parte do custo desta peça, e não aparece em nenhuma conta de nenhum lugar.

Um detalhe que muda tudo: preparo é do lote, não da peça. Preparar uma vez serve para as dez. Se você dividir os 15 minutos por peça, o pedido de dez peças fica dez vezes mais caro no item errado — e é assim que se espanta o pedido grande, que é justamente o que paga bem.

Na peça única do exemplo, o preparo pesa 38%. Num lote de dez, ele vira R$ 0,75 por peça e cai para 7%. Essa é a economia de escala real da impressão 3D, e ela só aparece se o preparo estiver na conta desde o começo.

5. Acabamento — o que cresce sem ninguém ver

Tirar suporte, lixar, colar, montar, conferir. Cinco minutos por peça: R$ 2,50. Esse é por peça mesmo, e não dilui com a quantidade — é o oposto do preparo.

É a linha que mais surpreende em pedido grande. Dez minutos de lixa em cinquenta peças são oito horas e vinte de trabalho. Se o orçamento não tem acabamento, esse pedido foi vendido com um dia inteiro de serviço de graça.

6. Embalagem e componentes

Caixa, plástico-bolha, etiqueta, saquinho: R$ 1,50. Some aqui parafuso, ímã, corrente e eletrônica que a peça leve. Cada item é barato o suficiente para parecer irrelevante, e juntos eles passam a energia com folga — nesta peça, embalagem sozinha custa quase quatro vezes a energia.

7. Reserva de falha — o custo do que não deu certo

Uma porcentagem sobre tudo que veio antes. Aqui, 7%: R$ 1,29. Ela existe porque nem toda impressão termina, e a que falha consumiu filamento, hora de máquina e energia antes de parar.

Sem essa linha, o refugo sai do lucro. E como o refugo não tem nota fiscal nem data marcada, ele nunca aparece como “prejuízo” — aparece como um mês em que sobrou menos do que devia, sem motivo aparente.

Comece com 7% e, depois de alguns meses registrando as falhas, troque pelo seu número medido. Oficina que registra costuma descobrir que está entre 5% e 12%, e quem não registra costuma achar que está em 2%.

Do custo para o preço

Custo é medição; preço é decisão. Com R$ 19,69 de custo e 40% de margem desejada, o preço é 19,69 ÷ 0,60 = R$ 32,82, arredondado para R$ 33,00. Dividir, não somar: somar 40% ao custo daria R$ 27,57 e uma margem real de 28,6%.

O raciocínio completo, com imposto, taxa de maquininha e o número que diz se vale ocupar a impressora, está no guia de precificação. Para fazer a conta com a sua peça em vez da do exemplo, a calculadora aberta tem as sete linhas separadas e não pede cadastro.

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Ou veja o guia completo de precificação e faça a conta de uma peça sua na calculadora aberta.

Essa conta, em todo orçamento

O FormaOS calcula o custo real de cada peça, mostra a margem antes de você mandar o preço e manda o orçamento por link para o cliente aprovar. É o mesmo raciocínio deste texto, feito sozinho.

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